O futuro das telecomunicações e da infraestrutura da Internet: o papel crítico da adoção do IPv4 para o IPv6 em todo o mundo

Vahan Hovsepyan, do RIPE NCC, compartilha insights de especialistas sobre a adoção do IPv6: como as telecomunicações podem aproveitá-lo para inovação, escalabilidade e desempenho de rede pronto para o futuro em um mundo conectado.

Por que a adoção do IPv4 para o IPv6 é fundamental para o futuro das telecomunicações e da infraestrutura da Internet?

No mundo das telecomunicações, que evolui rapidamente, manter-se à frente dos avanços tecnológicos é crucial para o sucesso. Uma área de foco fundamental hoje é a adoção global do IPv6 — um tema com implicações significativas para empresas de telecomunicações em todo o mundo. Neste artigo, analisamos em detalhes a importância da transição do IPv4 para o IPv6, explorando os benefícios, os desafios e o impacto no futuro do setor.


Vahan Hovsepyan, Consultor Sênior de Políticas Públicas e Comunitárias em NCC maduro, um dos principais especialistas na área, nos guiará pelas complexidades do IPv6 e sua implementação global, oferecendo insights valiosos sobre como as empresas de telecomunicações podem navegar nessa transição.

Com sua vasta experiência e conhecimento, Vahan explicará como a Ripe NCC cria o IPv6 para impulsionar inovação, escalabilidade e desempenho de rede aprimorado, posicionando as empresas para o sucesso a longo prazo em um mundo cada vez mais interconectado.


Adoção do IPv6: importância e desafios globais

Anastácia: Hoje, vamos mergulhar em uma das principais tecnologias que estão moldando o futuro da internet — e do mundo — o IPv6. Juntam-se a mim meu co-apresentador, Lado, Diretor de Desenvolvimento de Negócios da Aipix, e nosso convidado especial de hoje é Vahan Hovsepyan, Consultor Sênior de Comunidade e Políticas Públicas da Ripe NCC. A Ripe NCC está na vanguarda da adoção do IPv6, e ele tem um vasto conhecimento para compartilhar conosco. 

VahanObrigada, Anastasia! É ótimo estar aqui e discutir um tema tão importante.

Anastácia: Vamos começar com uma visão geral. Observe os fatores externos que aceleram a adoção do IPv6: qual o papel das regulamentações governamentais, dos incentivos econômicos e das tendências tecnológicas?

Vahan: Essa é uma pergunta muito pertinente. O papel do governo e das regulamentações varia de país para país. Alguns governos utilizam meios regulatórios para incentivar a adoção do IPv6.. CEnquanto alguns utilizam o "poder brando" exigindo que os provedores ofereçam suporte ao IPv6 em troca de contratos estatais ou outros incentivos, outros exploram essa influência. Em certos países, estratégias nacionais estão sendo desenvolvidas para incentivar a transição. Observamos também que tendências tecnológicas, como a implantação do 5G, IoT e IA, cidades inteligentes e VSaaS, estão impulsionando o setor a adotar padrões de internet mais recentes, como o IPv6. Essas tecnologias demandam mais endereços IP e recursos, que o IPv6 pode fornecer. Além disso, as preocupações com a segurança estão impulsionando a busca por redes mais seguras, e o IPv6 desempenha um papel fundamental nesse processo.

Anastácia: Isso é fascinante. Então, como as grandes empresas de tecnologia, como provedores de nuvem e outras empresas do setor, influenciam a adoção do IPv6?

Vahan: Gigantes da tecnologia como Amazon, Google, Microsoft, Outras empresas já adotaram o IPv6 em seus sistemas, o que representou uma mudança radical. Essa adoção é um importante catalisador para que as operadoras locais sigam o exemplo. Uma das barreiras anteriores era o questionamento, por parte das operadoras, da necessidade de habilitar o IPv6 quando havia poucos serviços que o suportavam. Agora, com o apoio desses grandes players, fica claro que a adoção do IPv6 não é apenas um diferencial, mas sim uma necessidade para se manter competitivo. No entanto, em regiões como a Ásia Central e o Oriente Médio, ainda existem problemas com sistemas de segurança legados e outras tecnologias obsoletas que precisam ser atualizadas para suportar o IPv6. Os fornecedores estão começando a entender que esses sistemas obsoletos estão atrasando a transição e precisam ser substituídos.

IPv4 para IPv6. Previsão de adoção

Anastácia: Qual é a sua previsão para a transição completa do IPv4 para o IPv6?

Vahan: Bem, algumas pessoas esperam uma transição para o padrão 100%, mas, sendo realista, isso não acontecerá em um futuro próximo. Não prevemos uma transição completa do IPv4 para o IPv6 tão cedo. Embora redes e países estejam adotando o IPv6, o IPv4 continuará sendo usado para garantir a disponibilidade de recursos. No entanto, a implementação do IPv6 é crucial para o desenvolvimento futuro e o crescimento de serviços e redes. Em regiões como o Oriente Médio, a Ásia Central e a Europa Oriental, o ritmo de adoção varia, mas estamos observando um crescimento positivo, especialmente em locais como o Cazaquistão e o Uzbequistão. Contudo, ainda existem desafios, principalmente relacionados à infraestrutura e aos equipamentos obsoletos que não são compatíveis com o IPv6.

IPv4 para IPv6. Região de olho na adoção

Anastácia: Como essas previsões mudam em regiões como Oriente Médio, Ásia Central e Europa Oriental, onde a infraestrutura e os orçamentos são tão diferentes?

Vahan: Em regiões como a Ásia Central e o Oriente Médio, um dos principais desafios é a infraestrutura existente — especialmente os equipamentos mais antigos que não suportam IPv6. Isso é particularmente verdadeiro para as grandes operadoras, muitas vezes monopolistas, que já investiram pesadamente em equipamentos baseados em IPv4. A atualização dessa infraestrutura exige recursos significativos. Outro desafio crucial é garantir que os sistemas de segurança e outras infraestruturas críticas estejam em conformidade com os padrões IPv6. Embora existam, sem dúvida, obstáculos, estamos observando um progresso gradual, especialmente em países como o Uzbequistão e o Cazaquistão.. Os provedores aqui estão fazendo do IPv6 uma prioridade em suas estratégias de desenvolvimento digital.

Anastácia: Isso é fascinante. Então, como as grandes empresas de tecnologia, como provedores de nuvem e outras empresas do setor, influenciam a adoção do IPv6?

Vahan: Gigantes da tecnologia como Amazon, Google, Microsoft, Outras empresas já adotaram o IPv6 em seus sistemas, o que representou uma mudança radical. Essa adoção é um importante catalisador para que as operadoras locais sigam o exemplo. Uma das barreiras anteriores era o questionamento, por parte das operadoras, da necessidade de habilitar o IPv6 quando havia poucos serviços que o suportavam. Agora, com o apoio desses grandes players, fica claro que a adoção do IPv6 não é apenas um diferencial, mas sim uma necessidade para se manter competitivo. No entanto, em regiões como a Ásia Central e o Oriente Médio, ainda existem problemas com sistemas de segurança legados e outras tecnologias obsoletas que precisam ser atualizadas para suportar o IPv6. Os fornecedores estão começando a entender que esses sistemas obsoletos estão atrasando a transição e precisam ser substituídos.

Iniciativas NCC RIPE IPv4 para IPv6

Anastácia: Sem dúvida, os líderes do setor têm um papel fundamental a desempenhar na condução dessa transição. Agora, Vahan, vamos falar sobre o papel da sua organização, a RIPE NCC. Quais iniciativas vocês têm em vigor para ajudar as operadoras a acelerar a transição para o IPv6?

Vahan: O Ripe NCC desempenha um papel central no apoio à adoção do IPv6, trabalhando diretamente com operadoras de rede, governos e reguladores. Fornecemos recursos e informações essenciais sobre os desafios e oportunidades da implementação do IPv6. Nossa organização oferece uma variedade de iniciativas, incluindo eventos, webinars e programas de treinamento. Oferecemos acesso gratuito a webinars e exames de certificação para profissionais do setor, o que ajuda a fortalecer seus conhecimentos e perspectivas de carreira. Além disso, utilizamos ferramentas como o nosso Atlas IPv6 para monitorar a implantação e compartilhar as descobertas com o setor. Nosso objetivo é garantir que a adoção do IPv6 seja um processo tranquilo e coordenado, especialmente em regiões onde o apoio governamental é crucial.

Lado: Podemos falar um pouco sobre minhas regiões favoritas, como a Ásia Central e o Oriente Médio e Norte da África? Quando falamos sobre iniciativas de IPv6, vocês têm alguma iniciativa específica para essas regiões? E você mencionou que é muito importante ter apoio dos governos. Então, vocês têm algum caso de sucesso de como os governos nessas regiões estão apoiando a adoção do IPv6?

Vahan: Sim, eu já mencionei a criação dos conselhos de IPv6, onde o papel principal é desempenhado pelos governos. No Uzbequistão e no Cazaquistão, já existem conselhos de IPv6, cujo chefe é, creio eu, um vice-ministro, e outras organizações industriais também apoiam essas atividades. Para o Uzbequistão, também criamos um Memorando de Entendimento (MOU) onde delineamos diferentes atividades para apoiar o desenvolvimento tecnológico e de telecomunicações, incluindo a adoção do IPv6. Com base nesse MOU, implementamos diversas atividades, como a criação de um plano de ação para o desenvolvimento do IPv6 e a colaboração com uma das operadoras monopolistas, a UzbekTelecom.

Oferecemos treinamento personalizado para eles e para as principais operadoras de telefonia móvel, ajudando-os a entender sua infraestrutura atual e aconselhando sobre melhorias. Houve um foco especial nisso no Uzbequistão. Também estamos em processo de elaboração de um Memorando de Entendimento (MOU) com a KyrgyzTelecom e o Ministério das Comunicações do Quirguistão, que esperamos assinar em breve. Além disso, nos juntamos ao Conselho IPv6 do Cazaquistão e estamos preparando outro MOU com eles para fornecer recursos dedicados. Não trabalhamos apenas na Ásia Central ou na CEI. Temos um MOU com a agência reguladora da Geórgia, a GNCC, onde temos apoiado atividades relacionadas à adoção do IPv6. Também atuamos no Oriente Médio, onde nos juntamos ao Conselho IPv6 e trabalhamos com a IGU e outras partes interessadas do setor, como a UIT, a ISO e a ICON.

Recentemente, inclusive, fomos à Moldávia e, em junho, participaremos do RIPE NCC Days, um dos principais eventos onde interagiremos com governos e empresas para discutir a adoção do IPv6.

Adoção do IPv6: as mudanças das operadoras de telecomunicações

Anastácia: Interessante. Então, após a ampla adoção do IPv6, como você vê a evolução da infraestrutura de telecomunicações e internet? Que mudanças podemos esperar?

Vahan: Essa é uma pergunta bastante interessante. A implementação do IPv6 não se trata apenas de migrar de uma tecnologia antiga para uma nova. Trata-se de criar uma vantagem competitiva para os países em seus desenvolvimentos digitais. Após a implementação do IPv6, veremos mais serviços evoluindo, como o SRv6, que oferece benefícios adicionais. Os Estados também poderiam criar incentivos econômicos para ajudar a financiar a transição. IoT O desenvolvimento será enorme, com o IPv6 possibilitando maior conectividade e oportunidades para empresas de software criarem produtos baseados nessa tecnologia. É a base para o futuro do desenvolvimento de telecomunicações, abrindo um leque de possibilidades para novos serviços. A adoção do IPv6 certamente impulsionará a transformação digital, abrindo portas para uma infraestrutura de telecomunicações mais eficiente e diversificada.

Lado: Você acha que o IPv6 pode tornar a internet menos centralizada, especialmente em termos de gerenciamento de tráfego ou redes ponto a ponto?

Vahan: A adoção do IPv6 poderia, de fato, tornar a internet menos centralizada. Atualmente, os provedores utilizam equipamentos que permitem o compartilhamento de um endereço IPv4 entre vários clientes. Com o IPv6, cada cliente e até mesmo cada dispositivo pode ter um endereço IPv6 exclusivo. Isso reduz a necessidade de infraestrutura compartilhada e a torna menos centralizada. No entanto, como mencionei, a internet já é descentralizada, e a adoção do IPv6 apenas a impulsionará ainda mais nessa direção. A tecnologia representa uma mudança técnica que aprimora as capacidades da rede sem necessariamente alterar o cenário político ou de políticas públicas. Ela torna as redes mais eficazes e competitivas, beneficiando tanto governos quanto provedores.

Lado: Interessante. Você já mencionou cidades inteligentes antes. As cidades inteligentes podem ser um catalisador para a adoção do IPv6?

Vahan: Absolutamente. Se um país deseja ter sucesso na era digital, deve priorizar o desenvolvimento de redes que suportem os esforços de digitalização, como cidades inteligentes, IoT e cobertura 5G. Cidades inteligentes exigem vastos recursos de internet e, sem o IPv6, é praticamente impossível fornecer a infraestrutura necessária. Pense em todos os dispositivos e sensores em cidades inteligentes — eles precisam de endereços IPv6 para funcionar corretamente. Sem o IPv6, simplesmente não é viável apoiar a transformação digital necessária para cidades inteligentes, telemedicina e redes de IoT.

Adoção do IPv6: Casos de Cooperação de Iniciativas

Anastácia: Você pode nos dar alguns detalhes interessantes ou estudos de caso da Ásia Central ou do Oriente Médio?

Vahan: Claro! Uma das nossas principais atividades na Ásia Central é a criação de Fórum de Peering e Interconexão da Ásia Central (CAPIF). O inscrição para CAPIF 4 2025 já está aberto. Este evento ajuda provedores na Ásia Central e países vizinhos a aprimorarem suas conexões de peering e interconexão, bem como a adoção do IPv6. A Ásia Central não tem saída para o mar, e é um desafio para a região estabelecer conexões redundantes de internet com o resto do mundo, devido a fatores geopolíticos e históricos. É por isso que temos apoiado seus esforços, ajudando-os a encontrar maneiras alternativas de melhorar a conectividade internacional. Também apoiamos o Grupo de Operadores de Rede do Cazaquistão, que é muito proativo e organiza sua própria conferência. Participamos de diversos eventos regionais e trabalhamos em estreita colaboração com importantes partes interessadas da Ásia Central, do Cáucaso e até mesmo do Irã, que desempenha um papel fundamental no aprimoramento da conectividade regional.

Anastácia: Certamente existem obstáculos no caminho da adoção do IPv6. Quais você considera serem os desafios mais significativos?

Vahan: Os principais desafios são uma combinação de fatores, incluindo restrições financeiras e a necessidade de investimento em infraestrutura de telecomunicações. Muitas empresas ainda detêm grandes alocações de IPv4, o que gera resistência à transição. Há também escassez de especialistas e conhecimento em algumas regiões. Mas o obstáculo mais significativo é a falta de conscientização e compreensão da importância do IPv6. Os governos precisam reconhecer que, sem a implementação do IPv6, não poderão oferecer suporte completo aos serviços digitais que desejam disponibilizar. Isso inclui telemedicina, cidades inteligentes e redes de IoT. Podemos ajudar fornecendo treinamento e suporte técnico para superar esses desafios.

Adoção do IPv6: Atividades de Treinamento

Lado: Então, que iniciativas MADURO A NCC oferece ajuda nessa transição, como suporte financeiro ou técnico? Além de apoiar os operadores, MADURO A NCC fornece suporte financeiro ou técnico, programas de treinamento, laboratórios, ambientes de teste ou projetos conjuntos com reguladores?

Vahan: MADURO O NCC oferece uma ampla gama de suporte aos nossos membros e à comunidade em geral MADUROComunidade. Ajudamos a organizar eventos regionais, como o Fórum de Peering da Ásia Central e o Grupo de Operadores de Rede do Oriente Médio. Nossa empresa também organiza atividades como o Dia de Medição da Internet, que fazemos em colaboração com a ICON e outras partes interessadas. NCC maduro oferece uma plataforma chamada RIPE Labs, onde artigos de pesquisa e tópicos de desenvolvimento industrial são compartilhados. Além disso, planejamos continuar apoiando grupos de operadoras de rede e aprimorando a cooperação com órgãos estaduais para ajudá-los na transição para o IPv6. Nossas iniciativas também incluem pesquisa localizada, certificações profissionais e a criação de ambientes e laboratórios de teste.

Anastácia: É ótimo saber de todas as iniciativas em que a RIPE NCC está envolvida. Esse tipo de apoio é inestimável para o setor. Vahan, muito obrigado por compartilhar suas ideias hoje.

Vahan: O prazer foi meu. Obrigada por me receber!

IPv4 para IPv6. Conclusão

À medida que o mundo transita para o IPv6 e as tecnologias de videovigilância se tornam essenciais para a segurança e o aprimoramento dos serviços, o poder da colaboração e das parcerias estratégicas nunca foi tão evidente. Ao unir forças com órgãos do setor e iniciativas globais, as empresas têm a oportunidade única de inovar, aprimorar suas ofertas de segurança e se manter à frente em um mercado em constante mudança. 

Aipix A empresa se destaca como parceira fundamental nessa jornada, ajudando as empresas a aproveitar o potencial das tecnologias de última geração. Vamos abraçar o futuro da cooperação — onde os esforços coletivos impulsionam soluções mais inteligentes, seguras e conectadas para todos.

Vamos abraçar juntos o futuro — onde inovação, segurança e conectividade tornam a vida mais segura e inteligente!

Anastasiya Volchok é estrategista de marketing e especialista em VSaaS, com sólida experiência em tecnologias de telecomunicações e vídeo em nuvem. Como líder de conteúdo, ela se especializou em transformar soluções complexas de tecnologia e B2B em narrativas claras e envolventes que impulsionam o engajamento e o crescimento. Com anos de experiência na interseção entre segurança de vídeo, SaaS e inovação em telecomunicações, Anastasiya oferece insights que ajudam as empresas a escalar de forma mais inteligente, comercializar melhor e se conectar mais profundamente com seu público. Seu trabalho combina pensamento estratégico com uma voz editorial aguçada, tornando-a uma voz confiável no mundo em evolução dos serviços de vídeo baseados em nuvem.

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