Vozes do Futuro Digital na América Latina: Evolução das Telecomunicações e ISPs

Descubra como a Wircom está transformando o cenário de telecomunicações da América Latina com vídeo impulsionado por IA e inovação em nuvem. Assista ao podcast completo ou leia a entrevista para explorar o futuro da conectividade e da segurança na região LATAM.

Transformação digital na América Latina: a nova era das empresas de telecomunicações e provedores de internet

O mercado latino-americano de telecomunicações, pioneiro no Chile

Bem-vindo a esta conversa aprofundada sobre O mercado latino-americano de telecomunicações: um pioneiro no Chile. Hoje, contamos com a presença de John Guerrero, CEO da Wircom Telecomunicaciones SpA.


Wircom Telecomunicações SpA é uma empresa chilena de telecomunicações reconhecida por sua abordagem ágil para fornecer conectividade de alto desempenho e soluções baseadas em nuvem em toda a América Latina. Fundada com a missão de preencher lacunas digitais em regiões carentes, a Wircom expandiu rapidamente sua presença, oferecendo serviços flexíveis de fibra, sem fio e satélite, adaptados às necessidades locais. 


Participam da discussão Sergei Vychuzhanin, cofundador da Aipix, empresa especializada em inteligência de vídeo avançada e soluções em nuvem, juntamente com Sebastián Jiménez, representante regional da Aipix. Juntos, eles exploram como a inovação em VSaaS e serviços de telecomunicações está transformando o cenário digital da região, abordando desafios específicos da América Latina, como lacunas de infraestrutura, ambientes regulatórios e a crescente demanda por redes de comunicação confiáveis, escaláveis e seguras.

Esta conversa oferece insights valiosos sobre como pioneiros locais como a Wircom não estão apenas impulsionando a adoção tecnológica, mas também moldando o futuro da conectividade e dos serviços inteligentes na América Latina.

João Guerreiro, CEO da Wircom Telecomunicaciones SpA, junta-se Sergei Vychuzhanin, um dos fundadores da Aipix, para uma discussão sobre a evolução do cenário das telecomunicações na América Latina. A conversa é apresentada por Sebastián Jiménez, BDM na LATAM da Aipix, que representa a empresa na região.


Introdução de Mercado de Telecomunicações da América Latina

Sebastián Jiménez (Aipix): Estou muito animado com o episódio de hoje. Vamos mergulhar no mercado de telecomunicações da América Latina, com foco especial no Chile, um verdadeiro pioneiro na região. Para nos ajudar com isso, temos dois convidados incríveis.

Do Chile, temos John Guerrero, CEO da Wircom Telecomunicaciones. John tem mais de 20 anos de experiência no setor e é um ator fundamental no fornecimento de serviços de fibra óptica e banda larga em todo o Chile.

João Guerreiro (Wircom): Muito obrigada pelo convite. É um prazer estar aqui.

Sebastián Jiménez (Aipix): Também contamos com Sergei Vychuzhanin, um dos fundadores da Aipix. Sergei também possui mais de 20 anos de experiência no desenvolvimento de serviços e produtos para empresas de telecomunicações e provedores de internet. Bem-vindo, Sergei.

Sergei Vychuzhanin (Aipix): Obrigado. É um prazer estar aqui.

Sebastián Jiménez (Aipix): Assim como o John, também sou chileno e represento a Aipix na América Latina. Para começar, John, quero te fazer uma pergunta direta. Com base em seus muitos anos de experiência, qual você considera a maior diferença entre o mercado de telecomunicações da América Latina e o resto do mundo?

João Guerreiro (Wircom): O principal fator é a nossa geografia singular. A maior parte da América do Sul possui um relevo muito complexo, com muitas florestas, montanhas, colinas e litorais. Em lugares como a Colômbia, por exemplo, é preciso atravessar todo o continente, do Atlântico ao Pacífico, para fornecer serviço. Por isso, é muito comum vermos uma combinação de tecnologias (satélite, fibra óptica e conexões sem fio) trabalhando em conjunto para alcançar determinadas áreas.


Brasil e Chile lideram o caminho

Sebastián Jiménez (Aipix): Ótimo ponto. Você mencionou o Brasil, que tem um mercado enorme. Entre o Brasil e os outros países da região, qual você diria que é o líder em inovação?

João Guerreiro (Wircom): Se incluirmos o Brasil, definitivamente é o Brasil, seguido pelo Chile. O Brasil possui o maior ponto de interconexão do mundo. Tem mais tráfego de internet do que qualquer outro país, até mesmo mais do que os Estados Unidos. Toda a América do Sul, e grande parte da América do Norte, se conectam através do Brasil.

Sebastián Jiménez (Aipix): É verdade. Então o Brasil vem em primeiro lugar e você colocaria o Chile em segundo?

João Guerreiro (Wircom): Em termos de velocidade, o Chile tem algumas das velocidades de internet mais altas do mundo. Estamos em segundo ou terceiro lugar no ranking. A grande diferença, porém, é o tamanho da população. O Chile é um país pequeno, com 18 milhões de habitantes, enquanto o Brasil tem uma população de mais de 250 milhões.

Sergei Vychuzhanin (Aipix): John, sempre foi assim no Chile? Ou é um desenvolvimento mais recente?

João Guerreiro (Wircom): O desenvolvimento tecnológico do Chile realmente decolou após a década de 1990. Passamos de uma ditadura militar para uma democracia, o que abriu o país para o mundo. Fomos um dos primeiros países sul-americanos a assinar acordos de livre comércio com a Europa, a América do Norte e a China. Isso levou a muitos projetos internacionais. Empresas espanholas e italianas, por exemplo, ganharam concessões para construir rodovias com sistemas de fluxo livre, o que exigiu a instalação de fibra óptica. A Universidade do Chile também começou a trazer os primeiros sistemas e servidores de e-mail, tornando-nos pioneiros na região.

Sebastián Jiménez (Aipix): Essa é uma excelente observação. Lembro-me de quando era criança, nos anos 90, e usava o Windows 98 na escola. Conversei com pessoas de outros países da região, e eles não tinham o mesmo nível de desenvolvimento na época.

João Guerreiro (Wircom): Exatamente. Sou de uma geração mais antiga e estava no ensino médio no início dos anos 90. Tínhamos programas técnicos onde podíamos estudar programação de computadores. Eu programava em COBOL, Pascal e FORTRAN quando tinha 15 anos. Aí veio o Windows, e foi uma maravilha.


A evolução da Internet no Chile

Sebastián Jiménez (Aipix): John, sei que a Wircoms está se expandindo para além do Chile. Você está trabalhando em outros países. Levando isso em consideração, a colaboração regional é fundamental ou é superestimada?

João Guerreiro (Wircom): É preciso entender que, embora todos falemos espanhol, nossas culturas são muito diferentes. Para mim, entrar em novos mercados tem sido um processo lento, pois dediquei muito tempo a palestras e consultorias para compreender as culturas locais. Por exemplo, na Colômbia, estamos focados em serviços B2B, não no consumidor final. Estamos aproveitando a experiência e a engenharia que o Chile possui, que está de cinco a dez anos à frente de muitos outros países. Nosso objetivo é transmitir esse conhecimento, assim como os países europeus fizeram por nós. Trabalhei para uma empresa espanhola por 18 anos, e grande parte da nossa expertise vem desses projetos internacionais.

Sebastián Jiménez (Aipix): Então, o Chile agora está contribuindo para a região, assim como a Europa contribuiu para o Chile no passado. Esse é um ótimo exemplo. Agora, como está o mercado no Chile hoje? Dê-nos um panorama geral.

João Guerreiro (Wircom): Hoje, a internet se tornou uma commodity no Chile. Construir serviços de internet não é mais um projeto gigantesco de engenharia que exige muitos recursos. Eu estimaria que existam cerca de 200 pequenas empresas atendendo áreas específicas. Enquanto 941 TP3T da população tem algum tipo de internet, incluindo celular, acredito que menos de 801 TP3T têm fibra óptica em casa. Nossa geografia, com 6.000 quilômetros de extensão e apenas 350 quilômetros de largura, torna muito difícil a construção de infraestrutura.

Mas, a longo prazo, acredito que a internet acabará sendo gratuita. Acho que as empresas de telecomunicações terão que deixar de ser apenas "operadoras de telecomunicações" e se tornarem "empresas de tecnologia". O maior desafio que enfrentamos no Chile é o baixo custo do serviço de internet. Aqui, você consegue internet por 10 centavos de libra esterlina, enquanto nos EUA o plano mais barato custa entre 30 e 40 centavos de libra esterlina. É insustentável continuar baixando os preços. Em vez disso, as empresas precisarão fornecer internet gratuitamente e lucrar com serviços de valor agregado, como câmeras de segurança residencial, aluguel de TVs e automação residencial.

Sebastián Jiménez (Aipix): Então você está dizendo que a internet será gratuita e as empresas cobrarão por outros serviços?

João Guerreiro (Wircom): Exatamente. É a única maneira de manter um negócio neste mercado.

Sergei Vychuzhanin (Aipix): Esse é um ponto interessante. Nesse cenário, como as operadoras geram receita? Uma coisa é competir em fibra óptica, mas como competir quando todos oferecem internet de graça? Os serviços adicionais que você mencionou também precisariam ser muito competitivos, principalmente quando se trata de empresas como Google e YouTube.

João Guerreiro (Wircom): Este é um dos grandes desafios que enfrentamos. O mercado é incrivelmente competitivo. Um novo participante, por exemplo, está disposto a operar com prejuízo por cinco anos apenas para ganhar participação de mercado. O que acontece quando o mercado começa a ficar mais concentrado?

A Movistar, uma das maiores empresas do mundo, está vendendo sua infraestrutura aqui. Ela criou uma rede neutra chamada Onnet e está vendendo sua infraestrutura para outras operadoras. Ela está se tornando gestora de infraestrutura e permitindo que outros players disputem o mercado menor.


Estratégia da Wircom em Mercado de Telecomunicações da América Latina: Foco no Serviço Pós-Venda

Sebastián Jiménez (Aipix): Diante desse cenário competitivo, o que a Wircom está fazendo para se destacar?

João Guerreiro (Wircom): Estamos indo contra a corrente. Construímos mais de 650 quilômetros de fibra óptica. O que estamos fazendo é oferecer nossa infraestrutura a ISPs menores com exclusividade, e não como uma rede aberta e compartilhada. O modelo de rede neutra, como o da Onnet, tem se mostrado lento. Quando você tem três ou quatro operadoras diferentes usando a mesma fibra, isso causa atrasos e problemas.

Em vez disso, estamos apostando nas pequenas empresas que desenvolvem seus próprios nichos de mercado e se concentram em serviço pós-venda. No Chile, tudo é muito centralizado e gerenciado a partir da capital. Se você mora em uma área rural, pode levar de 48 a 72 horas para um técnico chegar. Um operador local pode chegar em seis a oito horas, ou até menos se estiver na mesma cidade. Um cliente não pode ficar sem serviço por dois ou três dias. O serviço pós-venda e o tempo de resposta são nossa vantagem competitiva.

Idealmente, teremos conexões duplas, com um chip 5G como backup. No Chile, o 5G está muito desenvolvido, com cobertura de aproximadamente 90%. Mas essa é uma solução cara que os clientes não estão dispostos a pagar.

Sebastián Jiménez (Aipix): É verdade. O foco nas áreas rurais e no serviço pós-venda é o que diferencia a Wircom. Que outras coisas vocês estão fazendo para se destacar, talvez com serviços de valor agregado?

João Guerreiro (Wircom): Começamos como uma empresa B2C, mas à medida que construíamos nossa infraestrutura, percebemos que precisávamos ajudar operadoras menores. A velocidade média no Chile agora é de 500 megabits por segundo ou mais, então precisávamos ajudá-las a competir. Também iniciamos um modelo de negócios diferente, alugando nossa infraestrutura para grandes empresas nacionais em áreas onde elas não têm cobertura. Por exemplo, elas podem alugar nossa fibra para conectar suas torres 5G.

Também estamos desenvolvendo nosso próprio software. Para o nosso serviço de TV, criamos nossa própria plataforma OTT porque os serviços existentes cobravam por usuário. Sentíamos que estávamos trabalhando para o dono do software, não para nós mesmos. Criamos uma plataforma de IPTV linear básica, porém funcional, sem muitos recursos extras. Nossas estatísticas mostram que as pessoas não usam todos os canais; elas assistem principalmente aos cinco principais. Quem assiste TV linear geralmente tem mais de 40 anos. As gerações mais jovens obtêm informações das redes sociais e do YouTube. Nosso serviço de TV foi projetado para essa geração mais velha.

Sebastián Jiménez (Aipix): Desenvolver seu próprio software é um ótimo exemplo de como se diferenciar e não ficar à mercê de outros. Agora, e quanto a outras tecnologias? Por exemplo, a Aipix é especializada em videovigilância e cidades inteligentes. É algo que vocês estão considerando?

João Guerreiro (Wircom): O tema da segurança é comum em toda a América Latina. Crime e segurança são grandes preocupações em todos os países, e há um forte sentimento de vulnerabilidade. É um mercado muito bom para as empresas de telecomunicações. Poderíamos oferecer kits de câmeras de segurança com uma mensalidade. Infelizmente, os clientes no Chile não estão dispostos a pagar muito por esses sistemas. Um kit básico de segurança custa entre $50 e $60, mas quando um ladrão invade uma casa, a primeira coisa que ele leva ou destrói é o DVR.

Portanto, a empresa precisa fazer o investimento inicial e projetar o retorno. Teríamos que oferecer o serviço por meio de uma assinatura de custo muito baixo e, na América Latina, essa assinatura teria que fazer parte de um pacote.

Sebastián Jiménez (Aipix): Ótimo ponto. Tudo se resume a um serviço de assinatura combinado.

João Guerreiro (Wircom): Exatamente. Você não pode simplesmente cobrar do cliente por dispositivo. Uma casa típica pode ter quatro ou cinco câmeras. É preciso instalar as câmeras, um switch e toda a fiação, o que representa um investimento inicial enorme. Se você cobrar apenas um ou dois dólares por câmera, a conta mensal acaba sendo a mesma do plano de internet. Isso é difícil de vender, porque o cliente pode simplesmente ir a uma loja, comprar um kit de câmera $50 uma vez e pronto.

Precisamos pensar em novos modelos de negócios. Já estamos dentro das casas e empresas das pessoas; o primeiro passo está completo. Agora, precisamos desenvolver produtos que as pessoas realmente queiram usar, desde controle de acesso até alarmes inteligentes. Tudo está em uma rede IP hoje em dia, então precisamos nos tornar empresas de tecnologia. Temos a infraestrutura de cabeamento em casa, só precisamos desenvolver as ideias para lançar produtos novos e empolgantes.


Colaboração e Diferenciação

Sergei Vychuzhanin (Aipix): Tenho um comentário sobre colaboração. Muitos clientes não querem comprar e instalar seus próprios kits de vigilância. Em vez disso, recorrem a empresas especializadas na instalação desses sistemas. Sabemos que esse tipo de empresa existe em todos os lugares. Você acha que há uma oportunidade para as operadoras de telecomunicações firmarem parcerias com essas empresas de segurança? Isso permitiria que elas oferecessem serviços de segurança sem precisar desenvolver essa expertise internamente.

João Guerreiro (Wircom): Sim, isso certamente aceleraria o desenvolvimento desses serviços. No Chile, existem muitas empresas de segurança. Até a DirecTV lançou um serviço de segurança e monitoramento 24 horas por dia, 7 dias por semana, com centenas de telas em sua sala de monitoramento. Mas hoje, a tecnologia está se tornando tão acessível e digital. Um técnico que sabe instalar um cabo de fibra óptica também pode instalar um cabo de rede para uma câmera.

As empresas de telecomunicações veem esses serviços como um produto adicional e uma nova fonte de receita mensal, por isso estão sempre interessadas. As empresas menores têm uma vantagem aqui: são mais flexíveis. Uma empresa como a Movistar, por exemplo, é como um grande elefante branco. Pode levar dois meses só para tomar uma decisão, enquanto uma empresa pequena pode tomar a mesma decisão em uma ou duas semanas. Essa flexibilidade permite que elas inovem e se adaptem muito mais rapidamente.

Sebastián Jiménez (Aipix): As empresas menores têm menos burocracia e uma abordagem mais direta. E esses serviços extras são o que, em última análise, atrai e retém clientes, certo?

João Guerreiro (Wircom): Sim. A internet é uma commodity hoje em dia; qualquer empresa pode vender o mesmo serviço. O sistema de tráfego no Chile é muito bem organizado. Temos um sistema de tráfego nacional e internacional separado, e 70-80% do conteúdo está no Chile. Portanto, não é necessário muito conhecimento técnico especializado apenas para fornecer internet.

Mas se um cliente tem dificuldade em cancelar o contrato porque conta com controle de acesso, monitoramento de segurança e diversos outros serviços, a probabilidade de ele permanecer é muito maior. Essa é a chave: oferecer ao cliente um produto de alta qualidade com um diferencial real.

Sebastián Jiménez (Aipix): Você consegue se lembrar de algum exemplo específico de parceria ou colaboração bem-sucedida que a Wircom teve?

João Guerreiro (Wircom): Eu tinha algumas pequenas caixas Linux feitas na China para um serviço OTT. Nós as entregamos para uma empresa chamada HiEx, sediada no Peru, mas com operações em cinco países. Nós os ajudamos a desenvolver sua plataforma OTT para que fosse compatível com nosso hardware. Agora, essa mesma caixa é vendida no Equador, Colômbia, Peru, Bolívia e Chile. Participamos de todo o processo, desde a integração do aplicativo até as mudanças físicas no hardware. Por exemplo, a caixa que construímos para o Chile era bem aberta, mas na América Central tivemos que mudar o design para manter baratas e outros insetos longe. Então, você precisa adaptar constantemente suas soluções para cada país.


O futuro da Wircom

Sebastián Jiménez (Aipix): Você tem razão, cada solução precisa ser adaptada às características de cada país. Falando nisso, o que fazemos com todo o equipamento antigo, como as câmeras antigas, que está parado por aí? Existem milhares delas que estão sem uso ou que não têm mais suporte. Podemos reutilizá-las?

João Guerreiro (Wircom): É uma questão de preço. No Chile, as pessoas se concentram mais no custo do que na qualidade, então existe uma enorme variedade de produtos. Idealmente, se as câmeras forem ONVIF, podemos reutilizá-las. Mas, se não forem, é muito difícil. Este é outro motivo pelo qual acredito que o provedor de serviços terá que fazer o investimento. Diríamos: "Substituiremos suas câmeras antigas por câmeras nossas que funcionam com o nosso serviço". É a única maneira de garantir a qualidade do serviço.

Sebastián Jiménez (Aipix): Faz sentido. Temos que trabalhar com o que está disponível. Agora, existe algum marco específico do qual você se orgulha mais na Wircom?

João Guerreiro (Wircom): Tenho orgulho de toda a trajetória. Estamos no mercado há 15 anos. Começamos com serviços sem fio e, em 2014, iniciamos a construção de nossa rede de fibra óptica. A Wircom foi a primeira a construir um mini data center em uma província a 200 quilômetros ao norte da capital. Temos o nosso próprio. CDN para Netflix, Google e Facebook, e distribuímos a partir daí.

Mas abrir nossa operação na Colômbia foi um marco importantíssimo. Tivemos lucro desde o primeiro dia, o que não é pouca coisa. O dono de uma empresa visitou nossas instalações e nossa operação no Chile e nos convidou para expandir para a Colômbia. Fizemos um grande investimento para padronizar nosso sistema, usando Juniper para o núcleo e servidores HP. Esse nível de padronização tem sido um grande diferencial, e é por isso que grandes empresas agora estão negociando conosco. Elas nos veem como uma empresa séria que mantém um alto padrão, mesmo sendo uma empresa pequena.

Estamos também entrando em um novo mercado: o de prestação de serviços para rodovias no Chile, incluindo sistemas de pedágio, serviços de emergência e câmeras de segurança. Estamos sempre aprendendo e diversificando nossos negócios para sobreviver e prosperar.

Sebastián Jiménez (Aipix): Impressionante. Parabéns. Como você vê a operação da Wircom na Colômbia daqui a cinco anos?

João Guerreiro (Wircom): Acredito que nossa operação na Colômbia será maior que a do Chile em cinco anos. Podemos até vender nossa operação no Chile e nos concentrar totalmente na Colômbia. É um mercado enorme, com 55 milhões de pessoas, e há uma carência gigantesca de serviços. Por muito tempo, ninguém quis investir por causa dos riscos políticos e sociais.

Estamos usando o mesmo modelo que usamos no Chile. Começamos pelas províncias. Eu mesmo vou até lá para conversar com os donos de provedores de internet e descobrir o que eles precisam. O que eles consideram um "pequeno provedor de internet" com 10.000 a 15.000 assinantes, nós consideraríamos um provedor de internet de médio porte no Chile. Nós os ajudamos a pensar grande, ensinando-os sobre coisas como ASNs e IPv6, Algo que muitos deles nunca fizeram antes. Estamos ajudando-os a fazer a transição de simplesmente revender internet dedicada para construir uma operação mais robusta e profissional. Estamos criando uma mudança de mentalidade, algo que o Chile já compreendeu.

Sebastián Jiménez (Aipix): Portanto, há muito espaço para inovação na Colômbia. Esta é uma ótima oportunidade para você.

João Guerreiro (Wircom): Sim. Sou apaixonado pelo que faço. Preciso estar sempre em movimento e inovando. Como sempre digo, é conhecimento (30%) e paixão (70%). Para inovar, é preciso estar disposto a errar. Se tudo funcionasse de primeira, eu teria comprado um produto da Apple.

Sebastián Jiménez (Aipix): Essa é a melhor maneira de colocar. É preciso lançar programas piloto e testar novas tecnologias. É assim que se descobre o verdadeiro potencial delas e se continua inovando. A Wircom é um ótimo exemplo disso. Sempre admirei sua carreira e suas conquistas, especialmente na conexão de áreas rurais em um país com uma geografia tão desafiadora.

Agora, uma última pergunta, John: Que conselho você daria para alguém que quer abrir uma empresa de telecomunicações na região?

João Guerreiro (Wircom): O mais importante é estar bem preparado. Estude o mercado a fundo antes de começar. Existem milhares de opções, mas nem todas serão adequadas para você. O investimento inicial pode ser muito alto. Você pode começar pequeno, como muitos provedores de internet no Chile, usando equipamentos como o Mikrotik. É uma ótima solução completa para pequenas empresas, pois funciona como roteador, switch e servidor por um preço muito acessível. Você precisa estudar bem o mercado e tomar decisões com base em sua própria pesquisa, não apenas no que os outros dizem. Como dono de um negócio, cada decisão que você toma afeta seu bolso, então você precisa ter calma e pensar bem antes de agir.

Sebastián Jiménez (Aipix): Ótimo conselho. É preciso ir testando o terreno, como dizemos no Chile. Sergei, algum comentário final? Vou encerrar a entrevista.

Sergei Vychuzhanin (Aipix): Para mim, isso foi muito interessante. Aprendi muitas coisas específicas sobre o Chile, seu mercado de telecomunicações e a enorme diferença entre áreas urbanas e rurais. Muito obrigado, John, por compartilhar sua história e sua expertise. Boa sorte para a Wircom.

João Guerreiro (Wircom): Muito obrigado pelo convite, Sebastián.

Sebastián Jiménez (Aipix): Obrigado a ambos. Esta foi uma conversa muito interessante. John, mais um grande obrigado. Um abraço apertado e agradeço seu tempo e disposição para conversar conosco. Todos nós aprendemos muito. A todos que estão assistindo, desejamos o melhor e esperamos que tenham um ótimo dia.

Sergei Vychuzhanin (Aipix): Tudo de bom, pessoal.

João Guerreiro (Wircom): Adeus a todos.

Conclusão sobre Mercado de Telecomunicações da América Latina

À medida que o cenário das telecomunicações na América Latina evolui rapidamente, empresas como Wircom Telecomunicações estão provando que a inovação regional pode rivalizar com os padrões globais. Do pioneirismo VSaaS (Videovigilância como Serviço) Ao expandir a conectividade de alta velocidade em áreas carentes, a Wircom exemplifica como agilidade, visão e conhecimento local podem gerar um impacto real. A integração de IA, infraestrutura nativa da nuvem e análise inteligente de vídeo não é apenas uma tendência — está se tornando a base do crescimento moderno das telecomunicações e dos provedores de internet na região.

Esta conversa entre João Guerreiro da Wircom e Sergei Vychuzhanin A missão da Aipix reforça a missão compartilhada de viabilizar a transformação digital por meio de soluções de ponta e escaláveis. Com líderes profundamente comprometidos com a inovação e a comunidade, o futuro da conectividade na América Latina parece não apenas promissor, mas também disruptivo no melhor sentido da palavra.

Para descobrir como sua organização pode se beneficiar de soluções de vídeo com inteligência artificial ou se tornar parceira na transformação da fronteira digital da América Latina, entre em contato com a Aipix ou a Wircom hoje mesmo. Seja você uma operadora de telecomunicações, provedor de internet, integrador de sistemas ou líder do setor público, agora é a hora de agir — e fazer parte da transformação.

Vamos construir juntos o futuro da conectividade e desenvolver o mercado de telecomunicações da América Latina.

Anastasiya Volchok é estrategista de marketing e especialista em VSaaS, com sólida experiência em tecnologias de telecomunicações e vídeo em nuvem. Como líder de conteúdo, ela se especializou em transformar soluções complexas de tecnologia e B2B em narrativas claras e envolventes que impulsionam o engajamento e o crescimento. Com anos de experiência na interseção entre segurança de vídeo, SaaS e inovação em telecomunicações, Anastasiya oferece insights que ajudam as empresas a escalar de forma mais inteligente, comercializar melhor e se conectar mais profundamente com seu público. Seu trabalho combina pensamento estratégico com uma voz editorial aguçada, tornando-a uma voz confiável no mundo em evolução dos serviços de vídeo baseados em nuvem.

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